Estamos jogando dinheiro no lixo, literalmente

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Não é de hoje que o descarte inadequado do lixo gera prejuízos no Brasil. O país não conta com políticas públicas de incentivo à reciclagem de lixo. Além disso, o processo é bem mais caro do que produzir novos materiais a partir da matéria-prima. Nessa conta simples, um empresário poderia pensar que não tem nada a ganhar com a reciclagem. Ledo engano.

Segundo matéria publicada no site O Tempo, o Brasil deixa de ganhar cerca de R$ 120 bilhões por ano em materiais que deveriam ter sido reciclados, que acabam virando lixo. Conforme entrevista concedida pelo especialista em economia circular e sustentabilidade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, Paulo da Pieve, o Brasil gera quase 80 milhões de toneladas de rejeitos a cada ano, mas recicla apenas 3% desse montante.

Para onde vão os outros 97%? Para os lixões, rios e mares. Isso se reflete em mais prejuízo quando pensamos no impacto ambiental sem precedentes.

Cerca de 8 bilhões de toneladas de plástico são descartados no mar todos os anos, conforme pesquisa apresentada pelo jornal O Estado de São Paulo. Mais uma pitada de provocação e matemática: ainda que o processo de reciclagem seja quatro vezes mais caro que a produção de embalagens a partir da matéria-prima, precisamos acrescentar aí os custos que a poluição desenfreada já nos gerou. Só em São Paulo, com o projeto de despoluição do Rio Tietê, já foram gastos mais de R$ 8 bilhões, conforme números divulgados em matéria publicada pelo jornal O Globo.

A predileção pelo uso de embalagens feitas de plástico e vidro, por exemplo, se dá pela durabilidade de ambos. Se estamos falando em durabilidade e conservação do produto, chegamos a um conceito óbvio: essa embalagem não precisa ter vida útil curta, não precisa durar somente o tempo do consumo daquele produto embalado em plástico ou vidro. Então…

Seguindo nessa lógica, por que descartamos ao acaso embalagens de alta durabilidade que vão representar em poluição um prejuízo maior que a despesa da reciclagem?

O consumidor brasileiro está mudando. Segundo diversas pesquisas disponíveis na web, há uma preocupação cada vez maior com a origem dos produtos consumidos. O lançamento de produtos com embalagem refil, mais econômicas e que usam menos matéria-prima da fabricação, também estão entre os preferidos por muitos brasileiros quando vão às compras. Se a marca trabalha com embalagens recicladas, melhor ainda.

Países como a Dinamarca já reciclam 99% do lixo porque entenderam que qualidade de vida e preservação do meio ambiente representam uma economia de longo prazo, ainda mais quando adicionamos os lucros vindos da reciclagem de material. São R$ 120 milhões por ano, prejuízo que poderia ser lucro, se um maior número de empresários se dedicasse à criação de empresas e cooperativas profissionais para processamento e venda de materiais reciclados.

A oportunidade está aí, pra quem souber aproveitar. Bons negócios!