Pesquisa revela que muitos brasileiros passaram a realizar trabalho informal

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Segundo reportagem veiculada pelo site da revista Exame, grande parte dos brasileiros se viu atuando no mercado de trabalho informal no primeiro semestre de 2018. A estimativa é de que mais de 64% dos trabalhadores tenham feito algum tipo de serviço sem vínculo empregatício como maneira de conseguirem prover suas necessidades básicas. Se comparada com o ano anterior, constata-se que houve aumento no percentual de quem faz o chamado “bico”, já que em 2017 este era de 57,4%.

Os dados levantados fazem parte de um estudo realizado pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). O levantamento também contou com a participação da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas para que pudesse ser realizada. Na pesquisa, contudo, apurou-se que as pessoas oriundas de classes sociais com menor renda foram as que mais recorreram à esse tipo de prática.

Conforme explicou Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC, essa fatia da população está em constante situação de insuficiência financeira, o que justifica sua maior participação em trabalhos informais. Ela explicou que o desemprego de um membro familiar acaba ocasionando desequilíbrio na renda das famílias mais carentes, uma vez que vivem em situação financeira limítrofe, de modo que precisam fazer bicos diversos. A economista também ressaltou que estas famílias não conseguem se adequar a momentos críticos, como aqueles de desemprego.

O aumento do número de trabalhadores que realizam trabalho em negócios informais, entretanto, não é um fenômeno recente no país. De acordo com um outro estudo, desta vez realizado pela empresa Kantar Worldpanel, que atua com diversos tipos de consultoria, o percentual que o trabalho informal representa na renda das famílias segue tendência de crescimento há alguns anos. No período compreendido entre 2014 e 2017, por exemplo, a empresa constatou que o percentual foi de 15,3% para 16,6%.

Em contrapartida, o nível observado de contribuição de recursos do salário sofreu diminuição no mesmo período. Isso, segundo Maria Andréa Ferreira Murat, que dirige a Kantar, também encontra sua explicação no aumento do desemprego em decorrência da crise financeira. Vale ressaltar que a pesquisa em questão ocorreu em junho de 2018, contando com a participação de 886 pessoas de várias classes sociais.

 

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